A Comissão de Soluções Fundiárias (CSF) da Justiça Federal da 5ª Região realizou, no dia 9 de março de 2026, visita técnica ao imóvel de propriedade da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), localizado no bairro da Iputinga, no Recife. A ação teve como objetivo conhecer a estrutura física do local, avaliar as condições de moradia e compreender a realidade social das famílias que ocupam a área.
A atividade foi conduzida pelo Desembargador Federal Manoel Erhardt e pelos Juízes Federais Ethel Ribeiro e Bruno Melo, membros da CSF. A comitiva contou, ainda, com a presença da Defensora Pública Federal Ana Carolina Erhardt; da Procuradora da República Mabel Seixas Menge; do superintendente da ECT, Ricardo Santos; dos representantes do Governo do Estado, Petrônio Souza e Sueli Mangabeira; do Secretário de Habitação do Recife, Felipe Curi; e do procurador do município do Recife, Allyson Bezerra.
Os membros da Comissão foram recebidos por representantes dos movimentos sociais que organizam a ocupação: o Movimento Urbano dos Trabalhadores Sem Teto (MUST), representado pelos coordenadores Carlos Vieira e Fernanda Gomes; o Movimento de Luta Popular (MLP), pelas coordenadoras Eliane Maria de França, Maria José da Silva e Samaritana Pessoa; e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), por Maria do Carmo Ferreira, José Adalberto Silva e Ricardo Ramos. O advogado dos movimentos, Bernardo Weinstein Neto, também acompanhou o grupo.
Segundo os movimentos, o terreno de 2,6 hectares está atualmente ocupado por cerca de 800 famílias, incluindo 15 pessoas indígenas da etnia funi-ô. Durante a visita, os representantes da CSF circularam pelo local, conversaram com moradores e observaram as condições estruturais da área.
Entre os relatos ouvidos, destacou-se o depoimento de Andreia Rodrigues da Silva, 42 anos, mãe de duas crianças de 7 e 16 anos. Moradora anteriormente do bairro de Sucupira, ela explicou que buscou a ocupação porque não conseguia mais conciliar o pagamento do aluguel, no valor de R$ 400,00 com a compra de alimentos para a família.
A visita atende à atuação da Comissão no âmbito do processo nº 0007877-33.2006.4.05.8300, originado na 2ª Vara Federal de Pernambuco. A CSF tem como missão promover soluções pacíficas, dialogadas e estruturadas para conflitos fundiários, articulando-se com os diversos atores envolvidos para construir alternativas que respeitem direitos, garantam segurança jurídica e preservem a dignidade das famílias em situação de vulnerabilidade.